Disputa por conexão em subestações, pressão pela regulamentação do REDATA e a proposta da Anatel de levar data centers ao Norte, Nordeste e Centro-Oeste mostram que o mapa da infraestrutura digital está mudando, e isso pesa na decisão de onde hospedar sistemas críticos.scolher onde hospedar ficou mais fácil do que garantir como chegar até lá
Por muito tempo, a pergunta de quem planejava infraestrutura era onde encontrar espaço em um bom data center. Em outubro de 2026, a pergunta mudou. Três notícias dos últimos dias ajudam a entender por quê.
Quando a tomada vira o recurso mais disputado
Em São Paulo, quatro projetos de data center passaram a disputar apenas duas vagas de conexão em uma mesma subestação da ISA Energia. A situação chegou a um ponto em que a própria concessionária quer entender como escolher quem será conectado, já que o ONS emitiu mais pareceres de acesso do que a subestação comporta fisicamente.
Não é um caso isolado. No início do mês, o governo federal realizou o primeiro processo competitivo da nova Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão, a Pnast. Foram oferecidos 228 MW em quatro pontos de conexão no estado, e sete empreendimentos se habilitaram somando 451 MW de demanda, quase o dobro do disponível. Três projetos de data center ficaram com 100% da capacidade.
A Pnast substituiu o antigo modelo de fila aberta, em que qualquer projeto podia pedir conexão a qualquer momento, por janelas periódicas chamadas Temporadas de Acesso. A mudança organiza o planejamento da transmissão, mas também deixa claro que energia disponível na rede virou um ativo escasso. Não por acaso, os grandes campi já estão construindo subestações próprias, como a de 440 kV energizada pela CloudHQ em Paulínia e as três subestações do campus da Scala em Tamboré.
REDATA e a corrida contra o relógio
O segundo movimento é tributário. O Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, o REDATA, foi sancionado, mas ainda depende de regulamentação para que os incentivos funcionem na prática.
Em meados de outubro, 32 entidades de telecom, tecnologia, energia e indústria, junto com nove frentes parlamentares, enviaram uma carta aberta ao presidente Lula pedindo o decreto com urgência. Nesta semana, o Fórum das Associações do Setor Elétrico, que reúne 21 entidades, reforçou o pedido para que os primeiros projetos sejam habilitados ainda em 2026, enquanto os benefícios mais expressivos continuam valendo.
O ponto mais sensível do debate é justamente a energia. As entidades defendem uma regulamentação neutra em relação às fontes, com possibilidade de incluir o gás natural entre as opções de baixa emissão, e propõem resolver primeiro as regras de habilitação, deixando os temas sem consenso para uma segunda etapa.
O 6 GHz e a descentralização do mapa
O terceiro movimento vem da Anatel. A proposta de edital do leilão da faixa de 6 GHz, previsto até 2028, inclui pela primeira vez obrigações de construir data centers. A ideia é que as vencedoras financiem Núcleos Regionais Neutros, de maior porte, e Nós de Borda, os edge data centers, nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
A proposta está longe de ser consenso. Claro e Vivo se posicionaram contra a contrapartida nas audiências públicas, enquanto a Abrint, que representa provedores regionais, sinalizou apoio desde que haja mapeamento prévio e critérios claros. Seja qual for o desenho final, a direção é a mesma de todo o resto do setor, com mais capacidade surgindo fora do eixo São Paulo e Rio.
O que isso muda para quem hospeda sistemas críticos
Juntas, essas notícias mostram que o mapa da infraestrutura digital do país está sendo redesenhado. Para uma empresa que depende de sistemas sempre disponíveis, isso se traduz em três mudanças de raciocínio.
Concentração tem risco. Quando energia e conexão ficam disputadas em poucos pontos, depender de um único site ou de uma única região deixa de ser só uma escolha de conveniência e passa a ser um risco de continuidade e de custo.
Novas regiões entram no jogo. Se a capacidade de processamento cresce no Nordeste, no Centro-Oeste ou no interior, a conectividade precisa crescer junto. Um data center bem localizado não resolve nada se a rede que chega até ele não tiver a mesma qualidade.
Arquitetura vale mais que endereço. A decisão deixa de ser escolher um data center e passa a ser desenhar um ambiente em que colocation, nuvem privada e conexões diretas com AWS, Azure, Google Cloud e Oracle funcionem como um sistema só, com redundância entre regiões.
Onde a Dot a Dot entra nessa conta
Na Dot a Dot, a gente integra essas peças em um único projeto. Data center, nuvem e a rede que liga as suas unidades a eles ficam sob um contrato, uma fatura e um único ponto de responsabilidade, em qualquer lugar do Brasil. Isso permite distribuir cargas entre regiões, aproveitar a nova capacidade que surge fora do eixo tradicional e manter a operação monitorada pelo nosso NOC, sem que a sua equipe precise coordenar vários fornecedores.
A sua estratégia de infraestrutura já considera onde vai estar a energia dos próximos anos? Se ainda não, fale com o nosso time e vamos desenhar esse mapa juntos.